Esta é minha primeira contribuicao para meu proprio blog ! Estou emocionado.
Bom, agora estou sentado numa minuscula sala negra cercado de computadores e italianos malucos por todos os lados. Hoje completam-se 6 dias da minha saída do berço esplendido, e sinceramente sinto-me só, cansado e confuso. Sinto-me principalmente como uma ave de arribaçao, cumprindo uma trajetoria já traçada por milhares de geraçoes de ancestrais de sua raça, todos sempre em busca de sobrevivencia e perpetuidade da especie, mas eu, no meu singular caso, tenho entre Portugal e Brasil um enorme Atlantico a cortar-me constantemente em duas parcelas frágeis e divisíveis, que uma sempre busca a outra em vao, pois o charco sempre lá estará, intransponível e sólido.
Hoje, caminhei pela cidade em busca de algo, mas nada encontrei. Sempre que busco algo, é difícil encontrar, e quando encontro esta tal coisa perdida ou inexplorada, nao a vejo como necessaria. Vi marroquinos maltrapilhos mendicando, catalaos andando e fumando (ahh, como fumam estes europeus), e principalmente turistas e mais turistas, com os olhos bem abertos em busca de segredos inexplorados, e obviamente suas máquinas a registrar tudo. As vezes me questiono: quem mais aproveita, o turista ou a máquina. Seguramente a máquina, pois é carregada para cima e para baixo, postada sempre aos melhores ángulos e nos momentos nada importantes, descança calmamente no útero de todas as máquinas, a maleta. Mas nada encontrei, pois busquei em parragens erradas. O que busco está em mim mesmo, no que deixei por ora para trás e que agora me faz falta, e nao me está disponível.
Como uma ave de arribacao, estou voando por estas bandas a procura da minha salvacao, e em certa medida, da minha espécie, e com o coracao apertado espero a próxima estacao para voltar a minha terra natal.
Barcelona, 08 de Agosto de 2004.