quarta-feira, novembro 21, 2012

Cafona ao longo dos anos


Cafona ao longo dos anos


Madrid, 21 de Novembro de 2012.

Do nada, sem querer, recordei-me hoje de um dia há alguns anos atrás que convidei a Kika e o Zé Boro para assistir um show do Fagner em São Paulo. Nos acomodamos numa mesa – tipo camarote – e perfeitamente tínhamos o “cantautor” cearense à nossa mira. O Zé nada demorou, acompanhei-lhe e já em pouco tínhamos whiskys nas mãos.

Curtimos a beça e foi um daqueles momentos inesquecíveis. Saímos leves e com borbulhas de amor na cabeça.

A primeira vez que reparei na poesia e potencialidade desta música foi numa descida na serra do Mar décadas atrás, rumo a Itanhaém, ainda no carro vermelho esportivo do meu pai. Era uma fita cassete ainda e uma senhora cantava em castelhano com rompantes cearenses em volta. Era incrível. Era uma sinfonia sobre a vida e sobre os anos que passam. Faltava apenas um adendo tipo a Quintana de “quem é este velho que no espelho me observa”. Em resumo perfeito. Lembro-me do meu pai a cantar na serra a linda canção feliz a dirigir sua Ferrari.

Passado já muitos anos destes dois eventos, recordo-me com carinho destas lembranças e que realmente os anos passam e nos vão pondo velhos, as horas vão passando, o amor hoje não é o mesmo de ontem mas continua sendo amor.

Dizem que o Fagner é cafona. Discordo. Cafona não é uma característica mas sim um estado de animo. Pobres dos que não o são. Digam o que digam, mas o Fagner é foda. E melhor ainda é um show dele com boas companhias.

Deixo um vídeo do YouTube com o Fagner muito novinho (parece o Lucas?) e a cantora “castelhana” que tempos depois descobri que é simplesmente a diva Mercedes Sosa. Minha arquiteta bem reparou no quadro atrás no palco. O original está em Madrid. Alguma sugestão?


Curiosidade: Ele é um fanático pela poesia da minha tia-bisavó Florbela Espanca. Legal né? Fã de fã.


Um comentário:

  1. É assim mesmo. O tempo passa, mas é sempre o mesmo - ontem, hoje e amanhã. Tudo faz parte do mesmo plano. E de repente, encontramos hoje, os que eram de ontem e amanhã, os de hoje - as marcas do tempo.
    Para mim, você é sempre e sempre será o mesmo. Meu sobrinho muito querido.
    Um beijo.
    Lilly

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