Madrid, 17 de Junho de 2012
Ontem saímos a passear por Madrid. Acompanhou-me Michele, amiga que
recentemente retomei contato por estar também a viver por aqui.
Fomos primeiramente ao palácio dos reis espanholes, os primeiros dez
salões prestamos bastante atenção nos detalhes, seguramente no passado eram
coisas consideradas chiques, respeitados prêmios opulentes das vitórias no
além-mar, extravagancias exageradas provenientes provavelmente de uma
auto-estima muito baixa, também pudera, além de horríveis criaturas – vejam os
quadros e falem por vocês próprios! – também eram tão pequenos, mirrados e
sujos, que no roteiro nem mostram os banheiros reais, estou convencido que nem
existiam! A norma higiênica devia ser o uso do pinico real, depois os produtos
reais eram atirados do pinico pelas “ventanas” para fora. Isto explica a
necessidade de um parque tao grande mesmo ao pé do palácio, e a outra
explicação é porquê o parque Casa de Campo ser tao verde e frondoso... foi
salpicado de adubo real por séculos!
Enfim, depois de tantas conjecturas acerca da vida palaciana,
navegamos pela cidade, tomamos sorvete e fomos encontrar outra amiga, Maira, no
Casa América. Até tentamos nos hidratar com uma cerveja neste local, mas cada
uma custava 5 euros e rapidamente a sede desapareceu.
Como andamos em tempos de crise, nada melhor que abastecer-se nos
bairros e comércios étnicos. Paramos por Lavapies. Primeiramente paramos na
esplanada dum boteco na rua principal, esperamos uns dez minutos pelo garçom e
que depois de muito tempo apareceu e nos disse que nao servia na esplanada, se
quiséssemos algo deveríamos ir lá buscar,
virou as costas e voltou serelepe para sua posição intrabarra.
Sentamo-nos no seguinte bar, foi agradável, a temperatura nesta hora combinava
muito bem com as tantas canhas de desceram pela minha garganta.
Maíra e a amiga nos contaram sobre uma nova forma de financiamento
para tudo, chamada crowd funding, fundos alternativos de financiar projetos de
pessoas comuns como nós. Maira quer montar um projeto para ensinar crianças
indianas a sacar fotos. A amiga já se inscreveu na rabeta. Tenho certeza que se
a Tati estivesse lá já teria se entrado na onda também. E eu ficaria mais uma
vez de Rodrigues em Madrid.
Me pareceu a idéia sensacional. Sería a forma moderna de, em certa
forma, podermos nos rebelar contra séculos de pinicos reais. Se devidamente
compartilhássemos recursos e ajuda, deixaríamos de ao passar na rua receber uma
pinicada real na cabeça. Aprendi portanto que para que nao te adubem a cabeça
ou nos metemos com força no crowd funding ou começemos a usar capacetes.
Um pinico real.

Ah, o penico da realeza! Eh eh eh
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