Madrid, 07 de Julho de 2012.
Parecendo uma lebre erguida e atenta no meio da pradaria, preocupada
com possíveis predadores, lá estava eu de orelhas bem abertas e empinadas à
espera de perceber do que se tratava. Era chinês? Era polaco? Era turco?
Negativo. Era húngaro e me encontrava geometricamente no epicentro do país,
mesmo ao pé da entrada do funicular.
Tentei entender mas me escapavam os significados. Aquela língua e
aquelas palavras desconsertavam-me como nunca antes me havia passado. Confesso
que já viajei mas tamanha experiência jamais tinha vivido nestes trinta e
quatro anos.
Entendi portanto que a viagem seria apreciada no seu visual e no
toque das suas calçadas por turistas andarilhos como nós, pois ao lado da minha
mulher, é o que me toca sendo o turismo para ela sinónimo de boas sapatilhas e
muitos quilômetros a percorrer pelas urbes deste mundo afora.
A cidade de Budapeste é maravilhosa. De fato, como bem nos explicou
Chico no livro-filme homônimo, são duas cidades, duas nao, três. Buda, Óbuda e
Peste. Buda cidade mais tradicional, oriental e pacata, cuja toponímia
significa “muitas termas” (comento este fato mais adiante), já Peste, na
verdade “Pesshhhh” como bem frisou nossa guia turística, significa “piras de
fogo”. Nao me pergunte porque pois nao pude captar enquanto a guia nos
explicava no seu inglês britânico. Esta segunda cidade já muito mais “europeia”
e imponente, produto de uma curta mas intensa dominação austríaca pela zona.
Ficamos mesmo no olho do furacão. Buscando um pouco de conforto hospedamo-nos
no Mercure da rua principal chamada “Vaci Utca”, sendo utca a rua. Lá,
encontramos uma espécie de baixa peadonal, na qual se pode ir para todo lado e
encontram-se todas as boas lojas, prostitutas e restaurantes da cidade, tudo
que um turista normalmente almeja!
Para quem lá nunca esteve, deixo aqui algumas dicas do nosso
itinerário. Vale ressaltar que quaisquer tentativas de aprender o idioma local
é em vão. Nos explicaram que todos os
filmes de Hollywood que aparecem alienígenas falando, verdadeiramente estão a
falar o húngaro! Por este fato já se percebe a dificuldade, em alguns séculos
teremos escolas de idiomas promovendo o seguinte produto “Nao vá à Constelaçao
de Andromeda para aprender a comunicar-se no espaço, compre um pacote para a
Hungria!”.
Passamos deliciosos dias na capital húngara, descansei e retomei
forças. Aprendemos muitas coisas e com orgulho voltamos sabendo falar o mais
importante, independente de onde estejas. Obrigado. E em húngaro é fácil! Basta
imaginar que és um mineirinho, daqueles bem do interior do estado e que ao te
conhecer, imediatamente te pergunta: Qual é o seu nome? Voilá! Já sabes falar
obrigado em húngaro. É tudo o que precisas.
Köszönöm Budapeshhhhh!
Passeios:
- Free walking tour. Tres horas a pé, no inicio para entender a cidade. Triptobudapest.hu
- Passeios de bicicleta pela cidade: contrate um passeio destes, é muito legal passear pela cidade de bicicleta. Nós fomos aos bairros operários e pudermos ver prédios imensos de moradia construidos nos anos soviéticos.
- Banhos municipais. Simplesmente um luxo! Adoramos. A Tati nao queria sair, há banhos especiais com águas termais. Fomos no mais normal dentro do parque . Széchenyi bath.
- Parlamento: reserve com antecedência. Nao conseguimos entradas.
- Grande sinagoga: é incrível. A maior da Europa e a segunda maior do mundo. Indescritível. Percebemos a origem das grandes igrejas católicas.
Comidas:
- Mercado municipal: Se for no inverno ou em temperaturas mais amenas que o verão, vá comer no mercado municipal, no andar superior há uma série de lojinhas de comida com apetitosas comidas de “cuchara” como dizem os espanhóis
- Comida Azerbaija: Pois é, quem diria, mal sabia direito o que havia neste país e onde se localiza. Nos deparamos com esta grande “best kept secret” de Budapest. A dona é simpática, conversamos muito sobre o país, sua cultura e culinária. Deliciosos pratos parecidos com a comida do oriente médio. Marquis de Salade, 1065 Budapest, Hajós u. 43 www.marquisdesalade.hu
- Spinoza Café: Simplesmente sensacional, no coração do gueto judeu. Comemos uma perninha de ganso divina. Música ao vivo, no nosso dia foi um senhor pianista que só tocava trilhas sonoras. www.spinozacafe.hu, nas sextas-feiras toca lá um grupo de música hebraica.
- Orthodox Kóser Hanna Étterem: outra pérola do nosso passeio. Na minha opinião a melhor experiência culinária da viagem. Um restaurante judeu de toda a vida metido no meio do gueto, atras de uma sinagoga. Creio que nunca vou comer de novo na minha vida um rosbife tao bom quanto aquele. Cuidado com o suposto prato para duas pessoas: satisfaz quatro glutões facilmente. O ambiente é o máximo, é como voltar no tempo dos restaurantes dos anos 50. 1074 Budapest, VII. Dob utca 35.
Spinoza Café: um luxo!
Um encontró de dois escritores desconhecidos.
Acho que cagaram na minha cabeça!
Pedalando pelo subúrbio da cidade...
Comendo kosher. Que delícia!





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